Câmara reúne mais de 300 pessoas em ciclo de palestras sobre Famílias Atípicas

por Julia Beatriz Wal publicado 11/05/2026 10h50, última modificação 11/05/2026 10h50
Evento pioneiro no município promoveu três dias de capacitação, informação e acolhimento voltados à saúde, educação, direitos e qualidade de vida de pacientes atípicos
Câmara reúne mais de 300 pessoas em ciclo de palestras sobre Famílias Atípicas

Foto: Comunicação CMCL

Durante os dias 5, 6 e 7 de maio, a Câmara de Campo Largo promoveu o “Ciclo de Palestras – Famílias Atípicas”, evento que reuniu aproximadamente 350 pessoas ao longo de três dias de programação voltada à conscientização, capacitação e troca de experiências sobre inclusão, saúde, educação e qualidade de vida de pacientes atípicos.

A abertura oficial aconteceu na manhã do dia 5 de maio, com a presença do presidente da Câmara, Alexandre Guimarães, dos vereadores Sargento Leandro Chrestani, Athos Martinez, Victor Bini, Tomazina, Gustavo Torres, Rogério da Viação, Sensei Clóvis, Rafael Freitas e Polaco Preto, além do prefeito Maurício Rivabem e da deputada estadual e Procuradora da Mulher da Assembleia Legislativa do Paraná, Cloara Pinheiro.

Primeiro ciclo

A Câmara de Campo Largo foi pioneira na realização de um evento com três dias de palestras e capacitação voltados exclusivamente às famílias atípicas no município. A iniciativa surgiu a partir das demandas da própria população, que procurou os vereadores da Casa sugerindo a realização do encontro.

Durante a abertura, o presidente da Câmara, Alexandre Guimarães, destacou a importância de ouvir as necessidades da população para transformar demandas em políticas públicas efetivas.

“Quando a gente conversa, entende os anseios e as necessidades das pessoas. E quando conseguimos compreender isso como gestores, conseguimos construir boas ideias. Depois, precisamos tirá-las do papel. É assim que conseguimos fazer a diferença na vida das pessoas, através de políticas públicas de resultado. Uma sociedade só é harmônica quando todas as pessoas se sentem incluídas nela”, afirmou.

Após a solenidade de abertura, a deputada estadual Cloara Pinheiro ministrou a primeira palestra do evento, intitulada “As dores não são eternas”. Defensora dos direitos das pessoas com deficiência visual, a parlamentar trouxe reflexões sobre os desafios enfrentados pelas famílias atípicas e compartilhou o relato pessoal da trajetória de sua filha, Carolina.

Na sequência, a advogada Dra. Aline Milanês Ribeiro abordou os direitos das pessoas neurodivergentes, esclarecendo dúvidas jurídicas e técnicas relacionadas aos direitos de pessoas autistas, com síndrome de Down e TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade).

“Um dos principais direitos que precisamos entender para garantir acesso aos demais é o direito ao laudo médico específico, contendo todas as informações terapêuticas e o CID. O laudo garante acesso a atendimentos prioritários, isenção de impostos, emissão da carteira do autista - a CIPTEA, fundamental para que os municípios possam contabilizar o número de pessoas autistas e desenvolver políticas públicas”, explicou a advogada.

Encerrando a programação da manhã, o gerente da Agência da Previdência Social, Roberto José da Silveira, falou sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e respondeu às dúvidas dos participantes.

No período da tarde, a psicopedagoga Juliana Legroski ministrou a palestra “Inclusão escolar e adaptação na prática”, trazendo reflexões sobre a atuação dos profissionais da educação e as melhores formas de acolhimento e desenvolvimento dos alunos atípicos no ambiente escolar.

Informação para famílias

A programação do dia 6 de maio teve início no período da tarde e contou com uma mesa-redonda formada por profissionais da saúde: as psicólogas Caroline Rodrigues, Franciele Pombal e Fernanda Castilho, a neuropsicopedagoga Queize Lourenço, a fonoaudióloga Magda Ribeiro, a musicoterapeuta Lindsy Fernandes, a terapeuta ocupacional Esteffany Noah e a fisioterapeuta e psicomotricista Pâmella de Carmo.

Durante o encontro, as profissionais abordaram a importância do tratamento multidisciplinar e da atuação conjunta entre diferentes especialidades para garantir mais qualidade de vida e desenvolvimento aos pacientes atípicos. A dinâmica também permitiu a troca de experiências e orientações práticas para pais e mães presentes no evento.

Capacitação

No último dia de programação, 7 de maio, as palestras foram voltadas especialmente à área da saúde. A neurologista pediátrica do Hospital Infantil Pequeno Príncipe, Dra. Mara Lúcia Schmitz Ferreira Santos, falou sobre a importância da capacitação contínua dos profissionais, apresentando exemplos de casos clínicos e experiências da prática médica.

“Capacitar os profissionais da saúde primária, - os enfermeiros e médicos de família, aqueles que atuam nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) -, é evitar lá na frente diagnósticos tardios, excesso de exames e significa promover mais assertividade nas respostas às famílias”, disse. 

Encerrando o evento, a nutricionista Ana Cláudia Cruz dos Santos abordou a importância da alimentação adequada para pacientes atípicos e os impactos positivos da nutrição na qualidade de vida.

O evento foi aberto à população, reunindo servidores públicos, profissionais da saúde e da educação, além de diversas famílias atípicas que convivem diariamente com os desafios da inclusão e do cuidado.

As palestras também foram transmitidas ao vivo pelos canais oficiais de comunicação da Câmara e seguem disponíveis para acesso nas plataformas YouTube e Facebook.